terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Insônia

Hoje eu sofri com a insônia (somada a cólica e a dor no siso que nasce). Hoje eu não dormi. Como distração fiquei vendo vídeos que deveriam de algum modo me empoderar, me animar. Mas não há vlog que me faça mudar minha perceptiva sobre mim e, geralmente, é que me mantem acordada durante as madrugadas. Eu sou horrível e ponto. Não constatei isso pela minha aparência, eu sei que não sou o ser mais normal socialmente, eu choco com meu cabelo, com minhas roupas, com o meu peso, mas estou acostumada comigo mesmo. Eu digo isso no sentido de pessoa - caráter, valores, personalidade, como queira chamar -, nas minhas relações interpessoais. As vezes, eu me sinto uma boa pessoa, algumas pessoas especiais reforçam isso (sinceramente elas não me conhecem bem), porém a grande maioria do tempo eu só consigo me ver como os outros me afirmam, como uma pessoa horrível, que machuca os outros sempre que pode. 

Tentarei abreviar um pouquinho da história: minha vida não foi muito fácil desde antes de eu ser fecundado, ao descobrirem, ao nascer, mas aos 14 ela piorou muito. Perdi minha avó, alguns meses depois, meu tio também, para o câncer. Eu nunca lidei bem com a perda e naquele momento eu perdi, de uma vez praticamente, as duas pessoas que eu mais amava. Hoje fazem sete anos, mas ainda dói como no dia. E não é exagero. De tanto não consegui lidar com a dor e a perda, eu comecei a entrar em um estado deplorável - eu não fui a única, a família toda passou por uma barra e uns quase que não conseguiram passar, como meu primo. Então depois de dois anos, de cortes, de tentativas de suicídio bem fails, de quilos a mais, de agressões com lapso de memória, me levaram ao médico e foi constatado que eu tinha/tenho Transtorno de Humor Bipolar nível dois, que significa que eu oscilo bem mais que os outros humanos e no meu caso, passo a maior parte do tempo entre a depressão e o estresse, tendo pequenos surtos de euforia que logo se dissipam em estresse novamente. Não é grave, não tem muitas consequências e é controlável, se você está medicado. Eu não aguentava mais oito remédios ao dia que me deixavam uma zombie e pedi alta. Fazem dezoito meses que estou em alta (ou faziam) e os últimos seis foram extremamente difíceis. Não só de acontecimentos fora da minha mente, como câncer e o transplante do meu pai, mas dentro dela também, pois falhei na missão de me controlar sozinha. Estou instável (demais).

Eu sei que é muito difícil conviver comigo, a mesma brincadeira que me fez gargalhar ontem, hoje pode me fazer querer quebrar a sua cara ou chorar desesperadamente. Pode nem ser de um dia para o outro, pode ser no mesmo momento - tipo um tatu bolinha, como uma amiga descreve a namorada, eu me fecho sombriamente. O que faz com que as pessoas geralmente se sintam culpadas, como se tivessem provocado tal reação, e/ou se sintam sobrecarregadas em ter que repartir da minha dor. Isso não acontece somente com familiares ou amigos de longa data, mas com todos que passam por mim, seja num encontro, um pequeno namorico ou uma amizade de faculdade que acabará junto com o curso. Então em toda insonia eles me vem a cabeça, cada uma das pessoas que eu machuquei e as que eu imagino que tenha feito o mesmo. Eu sinto muito, de verdade, dói [fisicamente] até...ver o quanto eu os firo sem querem, como os afasto, como os enlouqueço junto comigo. E eu sinceramente não sei como parar, essa última parte não me deixa ficar em paz.

Com o perdão do desabafo.

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